Bancos investem cada vez menos

nas micro empresas portuguesas

21.11.2017 • Filomena Serrao • Blog, Estudos

Bancos continuam a reduzir investimento nas micro empresas portuguesas…

Segundo dados do Banco de Portugal, o financiamento bancário a PME continua em queda. Apesar da boa conjuntura económica atual, o novo financiamento a PME caiu mais de 22% face ao mesmo período de 2010 (período de crise). Este é o valor mais baixo desde que há memória estatística.

“Os dados são no mínimo surpreendentes. Apesar de toda a liquidez disponível, os bancos continuam a reduzir o financiamento às PME”. Segundo José Maria Rego, responsável da Raize, “há muitos anos que sabemos que mais liquidez não significa necessariamente mais financiamento para as PME.”

“Há muitos anos que sabemos que mais liquidez nos bancos não significa necessariamente mais financiamento para as PME.”

Em contrapartida, temos verificado um aumento do investimento bancário no crédito às famílias. Os novos empréstimos têm vindo a aumentar e, só nos primeiros meses do ano, os bancos concederam um total de €6,803 milhões em crédito às famílias – o montante mais elevado desde 2011.

…e as micro empresas portuguesas estão a ter (por isso) muitas dificuldades em aproveitar o ciclo económico.

Estes dados ajudam a explicar as dificuldades que as micro empresas têm sentido para investir e aproveitar o ciclo económico. Um estudo recente do INE mostra que existe uma grande discrepância no acesso a financiamento entre empresas pequenas, médias e grandes – o que está a fazer com que as micro empresas fiquem para trás. O principal fator limitativo identificado pelos gerentes foi a fraca capacidade de autofinanciamento das empresas – o que faz com que precisem de obter financiamento externo.

Fonte: Inquérito INE, Julho 2017. Evolução da Formação Bruta de Capital Fixo (investimento) por número de empregados nas empresas.

O que o estudo realça é que as micro empresas são o único escalão de PME que não está a aproveitar o atual ciclo económico para investir e renovar a sua capacidade produtiva. É por este motivo que muitas micro empresas continuam dependentes do Estado, na medida em que apenas conseguem investir através de programas de financiamento subsidiados (ex. PT2020, PME Capitalizar). Este ponto é importante porque sabemos que as micro empresas são responsáveis por 40% do emprego em Portugal.

“Existe uma grande discrepância no acesso a financiamento entre empresas pequenas, médias e grandes. E é precisamente esta discrepância que torna o trabalho da Raize e o financiamento dos investidores tão importante.”

A economia portuguesa deve continuar a refletir a evolução positiva do turismo e da construção. “Euro” forte pode começar a afetar exportações.

Na Raize, perspetivamos a continuação do crescimento nos próximos meses influenciado pelos setores do turismo, construção e imobiliário. Portugal continua a ser um destino “seguro” e a atrair por isso muitos turistas e investidores estrangeiros. Devemos também continuar a sentir os efeitos dos vários programas de financiamento públicos (ex. PT2020 e Progama Capitalizar) embora com um impacto gradualmente mais reduzido. Em termos de exportações, a valorização recente do euro pode criar pressão sobre as exportações (em particular de produtos menos diferenciados). Deve-se, por isso, continuar a acompanhar as negociações “Brexit” e o desenrolar do conflito na península coreana.